Bofetões

março 27, 2012

Levei uns tapas na cara,
palavras…
Que só ouvi porque menti demais,
pra mim.
Me fiz crer que você era sim,
amada.
No fundo o cruel é que você só era
dor.

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Deus é sacana

março 23, 2012

Deus é sacana,
disso eu tenho certeza.
Ele brinca com minha cara
porque ele gosta dos meus poemas.

Quando eu estava sem escrever
fazia já quase dois meses,
ele me apresentou uma dama incrível
dessas de que quando se vê, se treme.

Eu logo me apaixonei
e escrevi muitos poemas.
O amor quando é bonito
não parece como doença.

Mas logo estranhei esse Deus danado
que mantinha ela sempre longe.
Me permitiu um beijo e só
e de resto olhando distante.

É obvio que eu escrevia
apaixonado louco de saudades
deus alegre lia
e adorava esse seu milagre.

E quando os poemas engataram,
e não mais escrevia sobre o coração
deus ficou chateado,
ele só gosta de poema emoção.

Então de forma sorrateira
disse para a menina sobre outro cara…
Ela foi como que teleguiada
para longe de minha mão.

E agora que estou sozinho
sem amor e com inspiração,
deus ri em seu palácio divino
lendo minha solidão.

Eu xingo os ares, xingo o mundo!
E todos os casais abraçados.
Sou o resultado-poema da vontade divina
e no amor, um desgraçado.

Ouvindo cartola

março 15, 2012

Peguei o pão e a manteiga,
queria uma menina meiga.
Passei a manteiga no pão,
queria viver uma paixão.

Peguei o queijo e o presunto,
espero que ela me queira junto.
Botei no pão o presunto e o queijo,
Como será o seu beijo?

Liguei distraído a cafeteira,
eu e ela na banheira.
Lavei mal lavado uma caneca,
a tarde, nossa soneca.

Liguei com fósforo, o fogão,
imagino sua boca, sua mão.
procurei onde estava a frigideira,
quero estar com ela inteira.

O pão na frigideira ficou quente,
que tipo de filho sairia da gente?
O pão na frigideira ficou pronto,
queria já ouvir seu canto.

Botei o café na minha caneca branca,
conversaremos horas deitados na cama.
Bebi rápido demais e queimei a boca
queria você aqui, não uma outra.

Comi tudo com uma calma distraída,
será que um dia ela será minha?
Comi com uma dor no coração,
ou será que ela passará enquanto penso que não?

Os tempos

março 10, 2012

A pressa às vezes aperta
e viver faz parecer tão pouco, tão curto.
E viver de fato é curto e pouco
e bastante insuficiente.
Mas não há vida que baste
para tudo que acontece.

A calma às vezes toma
e viver parece coisa boba
execício de ser atoa.
Comer e dormir.
Brincar de ir
nadar na lagoa.
A calma de um dia
faz valer a vida.

Tato

março 5, 2012

Antes de me embebedar
promovo um brinde à sobriedade besta
daqueles que amam de olhos abertos
e vivem em busca de certeza.
Antes de me embebedar, é claro.
Pois sóbrio digo qualquer coisa
que alegre,
mas bêbado, não há verdade que eu não renegue.

Vivo por beijos soltos
de amores avulsos
de carinhos simples
dados no susto
da vontade solta e besta
de qualquer prazer e cerveja.

Vivo pela vontade de provar
os gostos.
Vivo pelo meu gozo
e pelo sorriso que permite meu rosto.
Vivo na incerteza do olho fechado
e na crença pura de tudo que sinto
no tato.

Música

março 3, 2012

Não há saudade que resista
nem tristeza que sustente
uns acordes bem tocados
em ritmo gostoso e crescente.

Não há melancolia forte o suficiente
para aguentar cerveja ou vinho
ou pura e seca água ardente
acompanhada por composições.

Depressões são tão poucas perto de sons bons.
Cantos são mais intensos,
ritmos são mais marcantes,
vozes são mais ferozes.

Canto bêbado e solto
a alegria de saber compor.
Sei soltar a angustia da alma em música
ao invés de calar o silencio em dor.

Sopro

março 2, 2012

No tempo em que se inspira
carrega-se tudo que se cabe de ar
no pulmão.
E quando se sopra,
nada sobra no peito
fora o folego curto
que resta
e uma nova vontade de inspiração.

A vida como ela é

março 2, 2012

Eu olho e percebo
que o mundo que eu invento
é tão melhor do que o que há.
Se eu sinto o seu cheiro
e me faço desejo por ti,
se sonho, sei que será.
Mas quando me vejo ante o que é,
te percebo logo com outro
e me resta o pobre conforto
de um violão esquecido
que não é meu,
mas que soa.