Caixão não

dezembro 31, 2011

Se eu for com a correnteza,
Eu tenho quase certeza
Que me encontro com um tubarão.
Desejo que não esteja faminto
Ou que seja distinto e amigo,
Que curta livros e chucrute alemão.
Mas se como em todo caso,
Ainda houver atraso
E o tubarão quiser uma mordida.
Que eu encha sua barriga vazia,
Que minha carne lhe dê alegria
E que eu não lhe cause indigestão.
Se inevitável na vida é a morte
Que esse dia seja de sorte
E eu não me acabe pra sempre num caixão.

Anúncios

Música para baixar!

dezembro 27, 2011

Queridos amigos, com muita felicidade eu vos apresento meu projeto “Da terra” com 13 músicas de minha autoria.

http://www.4shared.com/rar/uiPqU9om/Da_terra_-_Thiago_David.html

Da terra

1-Solto
2-Por do sol 6 da tarde
3-Doutor
4-Praia em braile
5-Às Vezes
6-Tout le jour
7-Abraxas
8-Ode ao Amor e a sogra
9-Quanta notícia
10- Mito do joão da Serra
11-Brindamos o fim do mundo
12-Cascata matinal
13-Um abraço para meus amigos

Gostaria de agradecer a Vanessa Costa e Victor França pelo projeto gráfico. Gracias amigos!

O voo e o novo ninho.

dezembro 25, 2011

Diante do abismo do novo
Desejo-te boa sorte.
Entrego com este poema
Uma bussola sem norte.

O que será da vida em um mês,
É segredo.
Não saber faz parte do esporte.
Seguir em frente é preciso,
E o medo é um ponto forte.

O tanto que irá mudar,
Cabe a ti, decidir.
Mas não se prive de tentar
E não esqueça de se divertir.

Mas acima de tudo, te peço:
Não deixe uma ideia fugir.
Agarre-a num papel, com lápis
E faça chorar ou rir.

Não tenha medo da discórdia
Ela é a certeza de um feito.
Tema de fato o elogio,
Pois ele esconde os defeitos.

E enfim desejo-te liberdade
Principalmente frente ao perfeito.
Quando for criar, se livre
E lembre que sua arte é seu jeito.

O pouco que se lembra

dezembro 24, 2011

Como quem troca de pele
deixo estar, o passado.
Abraço o esquecimento
e guardo o inevitável.

Lembranças são fragrâncias
e certos apertos no peito.
Memórias são histórias
em que se escolhe o recheio.

Narrando o que esqueço
conto uma nova piada
a vida é mesmo simples
mais vale uma boa a risada.

Pouca coisa

dezembro 24, 2011

A carne que sobra no osso,
a farinha que resta no prato,
o findo, o pouco, o gasto,
a migalha deixada pro rato;
para quem tem fome de gente grande,
quem é faminto de fato,
não perdoará o desperdiçado.
Jamais aceirará esse ato.

voo

dezembro 24, 2011

Não é preciso asas,
não quero asas.
Eu sei voar.

Não tenho penas
não uso bico
não cisco para jantar.

Não há altura,
não há figura,
que permita o decolar.

Existe o vento
e o que escrevo
e as folhas que deixo escapar.

Pra ti

dezembro 23, 2011

Quis te escrever um poema
não como uma jura,
mas como quem acaricia.
Para que você durma tranquila,
para acompanhar seu dia.

Quis te escrever um poema
como se fosse uma espécie de dança.
Dessas de virar a noite
num ritmo que não se cansa,
suave como a alegria.

Quis te escrever um poema
tipo este que estou escrevendo.
Para você ler deitada estirada
ou até pra acabar não lendo,
mas que sirva como companhia.

Desconheço

dezembro 23, 2011

Desconheço o mundo inteiro
e toda a humanidade.
Desconheço por inteiro,
muito mais que a metade.

Desconheço o que conheço
até nas intimidades.
Desconheço até o avesso
da minha sinceridade.

Desconheço fatos e feitos
amores e iniquidades.
Desconheço o que não se cria
nem o intrínseco, nem a verdade.

Desconheço não por medo
nem por pouca vontade.
Desconheço porque esqueço
ou porque é bobagem.

Alívio

dezembro 22, 2011

O peso de uma tonelada é muito pouco
para uma mente ocupada/preocupada.
Não há peso que represente o peso da mente;
o peso de uma alma cansada.

Mas quando enfim o peso cessa
e a leveza rouba a cena,
reina tudo que é cama,
ama-se tudo que deita.

Dormir torna-se completo
a melhor das experiências.
E acordar, apenas um fato;
mais uma boa vivência.

Viver assim é bom:
Sem peso na consciência.
Sem caso, sem prazo, sem atraso.
solto, boiando no raso.

Café e descanso

dezembro 22, 2011

Em uma xícara branca
está um café amargo
quente (quase pelando)
e muito preto.

Café amargo quente preto.
Perfeito para um fim de tarde.
Amigo da arte,
amigo do canto.

Café quente preto e amargo.
Perfeito para conversas
para criações discretas
amigo do descanso.

Ai que preguiça!

Água – posse

dezembro 22, 2011

A água que se prende ao corpo
é diferente da água presa a um copo.
A água que se prende ao corpo é a que ficou,
a água que foi presa a um copo é aquela que não tem escapatória.

Água que é livre foge,
água de copo não pode.

Madrugada

dezembro 21, 2011

Me entrego à noite,
Eu vou.
Coração dormente, não.
Latente.
E saudades do que não vivi.

Há paz

dezembro 20, 2011

Acordar é um sonho divertido.
E por ter tido um sonho bom,
durmo tranquilo.
Acordar ou não,
tanto faz.
Há paz?
(Resposta sorriso).

Incêndio

dezembro 20, 2011

Bastou uma história difusa
E uma sorte de fato,
Uma conversa quase profunda
E uma cerveja barata,
Para desfazer um mundo inteiro
E construir um castelo de fumaça
Que mostra somente o fogo
Que vive da brasa,
Que estava na água,
Que era tudo o que era eu
Dentro de um mundo sem graça.