Rascunho de um poema raivoso

dezembro 31, 2010

Havia aqui um belo verso.
Aqui de surpresa, uma apóstrofe!
Nesta linha o perverso
e amargo, termino uma estrofe.

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No segundo minuto após o fim,
Eu já sabia.
Meu novo mundo estava posto,
Estava morto.

Lá se ia a megera querida.
Minha menina.
Ela morava longe,
pra longe ela ia.

Eu sorri minha agonia,
Sabia que ia passar.
Mas engano se vê pelo tempo.
Amor que se gosta inteiro, não passa.

A falta me fez perdido,
Me tomou e levou a alma.
Me fez cortar o cabelo
Me deixou crescer a barba.

Em cada suspiro findo
Meu ar que ia, não vinha.
Sentia crescer minha asfixia
Chorei pela nicotina.

Tentei duvidar que sentia,
Falei que amor é mito, só;
Piada sem graça, farsa.
Pros fracos, dos males, o pior.

Conseguia esquecê-la por dois dias ou menos.
Mas não podia sentir nem perfume nem vento de sereno.
A saudade chegava forte e batendo.
Eu morria lento.

Já viajei pra longe
Por alguma temporada
Já até mudei de estado
para ver se muda, e nada.

Vivo preso ao meu passado com essa ex-namorada.
Doença sem cura, vida sem rumo, choro e lágrima.
Vício maldito, saudade danada, menina amada.
Não quero esperar, não quero querer não quero mais vê-la nem de ouro pintada!

Mas se ela chamar por meu nome,
Mesmo depois de tanta demora.
Voltarei para sua casa seco por beijos e direi:
Ainda te quero, moça. Ainda és minha amada.

Seco

dezembro 19, 2010

Ela se faz quase esquecida;
Lágrima omitida.
Segredo de choro sem água;
Lágrima guardada.
Febre, fome, ferida;
Lágrima omitida.
Pele aberta, alma fechada;
Lágrima guardada.
Verdade mentida;
Lágrima omitida.
Verdade afiada;
Lágrima guardada.

O vento e a areia

dezembro 16, 2010

Cuidado, menina!
Se vem soprando seus ares pra cá…
Já vivo uma vida árida
de quem já perdeu o que ia ganhar.

Cuidado, menina!
Não se aproxime com suspiros bestas…
Se um dia fui pedra,
hoje já me encontro areia.

Cuidado, menina!
Não me sopre beijos de longe…
Desfiz-me inteiro assim.
Hoje, de mim resta o nome.

Cuidado, menina!
Se proferes qualquer palavra…
E se me desfaço de vez?
Terei ainda alma?

Parede

dezembro 15, 2010

Parede dura
a rede
segura
o teto
apóia
se chove
não molha.
Parede me ampara.
Pintada é bonita,
deitada é entulho,
pichada é submundo.

Parede dura
furada
encana
tomada
da choque
com prego
enquadro
com massa
colo
o azulejo colorido
da parede do banheiro
da parede da cozinha.