Poema do amor bonito

agosto 27, 2010

O amor bonito
É mais difícil
Do que o
Acaso planejado.
E mais fácil
(muito mais)
Do que o
Impossível.

O amor bonito, brota
Nos brotos.
E cresce por crescer.
Crescendo.
Sem água.

O amor bonito é miúdo
Leve, leve
E rápido.
Se você olha para o lado
Ele voa
Avoado.
Se você tentar pegar,
Foge.
Se conseguir prender,
Morre.

O amor bonito
Perambula
E gosta mesmo
Das horas.
O amor bonito adora.
O amor bonito
Demora.

O amor bonito vive
Escondido,
Mas gosta de ser
Achado.
É tão raro
quanto copiado.
Peça de museu.
É caro.

O amor bonito
Cabe
Em tão
pouco
Em tão tão
pouco
Que estava aqui
E sumiu.

Manco

agosto 22, 2010

Arrancaram-me o espírito que deixa.
Aquele mesmo que gosta e que ama.
E o que me resta, agora derrama
Dos cortes profundos e cicatrizes amplas.

Foi-se assim, como tortura.
O olho que brilha e adora,
Foi-se com muito custo
Desfez-se com muita demora.

Tentei insistir em ter-me igual.
Me forcei a querer, forcei-me!
De que adianta querer querer?
Não tenho, não posso, não consigo poder.

Hoje sou assim, um manco das vontades.
Tenho um coração que bate pela metade.
Se suspiro por sonhar em desejar,
Não mais me engano.
Continuo andando.