Ventilador para fadiga

setembro 28, 2009

Ah! A fadiga e o cansaço!
Fazem da vida uma grande preguiça.
Quase como um bafo quente de um dia quente
num ataque de mormaço numa rede
na frente do ventilador.

Ah! o ventilador!
Espanta o odor,
afasta as moscas,
atrai as moças quando faz calor.
Ah! o ventilador.

Se eu pudesse ter um ventilador para o mormaço da vida…
Para quando há em exagero o cansaço para as coisas do dia…
O ventilador das preocupações!
Deixá-lo-ia ligado sempre.
Seria o fim da fadiga e do cansaço
desses dias típicos de mormaço
quando até o vento é quente
e a preguiça toma a gente
de tudo que é obrigação.

Saudades da Esmeralda

setembro 21, 2009

Saudades da minha Vó Esmeralda,
não só minha, de toda família.
Como Esmeralda faz falta!
Como faz falta minha vozinha.

Queria ser de novo
o zanjo da Vó
e comer o rango da Vó
e ter o carinho da Vó
e ser de novo neto.

Queria minha Vó de volta
e ser de novo neto.

Saudades da mãe Esmeralda,
saudades por suas filhas.
Como Esmeralda faz falta!
Como faz falta essa fada madrinha.

Queria vê-la de novo
puxando algumas orelhas
juntando todas as filhas
fazendo de novo festas
ensinando o que é família.

Saudades da mãe Esmeralda.
Saudade de suas filhas.

Saudades da esposa Esmeralda,
saudades por seu marido.
Como Esmeralda faz falta!
Como faz falta em cada dia vivido.

Queria vê-la de novo
fazendo par com seu marido
quebrando o pau com seu marido
dando sentido ao seu marido
Fazendo do marido, pai.

Saudades da esposa Esmeralda.
Saudades em muitos sentidos.

Eta vida danada!

setembro 17, 2009

A vida vai e me leva,
a vida me leva e traz
uma alegria sem tamanho
por ter pais como os meus pais.

A vida vai e me leva,
a vida me faz capaz
de viver com alguma calma
nesse mundo deveras fugaz.

A vida vai e me leva,
a vida é meu capataz
quando me arrasta pelo tempo
quando não deixa eu voltar atrás.

A vida vai e me leva,
a vida é tão sagaz!
Permite tudo o que eu faço
mas se retira se eu fizer assaz.

A vida vai e me leva,
a vida me causa paz
quando acordo e vejo o sol
quando durmo e não o vejo mais.

A vida vai e me leva,
a vida me leva e traz
a vida que vai e me leva,
a vida que me leva e traz.

Espirro de poema

setembro 14, 2009

Pensei em ser original com a poesia
quis evitar rimar ela com alegria
mas quando eu bebo e encho a cara
eu escrevo umas rimas óbvias e claras
que dá pra ver bem que não receberam mais de dois segundos de atenção
usei meu instinto poético com minha intuição
para expressar a sensação de “joy”
e quis fazer uma revoluçãozinha poética
mas as coisas não acontecem assim.

Para revolucionar a poesia
não se usa dois ovos e farinha
não há colher de fermento que faça um poema ser um grande poema.
Agora já me arrependo um pouco de ter começado esse poema…
Mais uma besteirinha na história da literatura banal.
Um espirro de poema.
Talvez se ele virar um soneto…
Ou tiver alguma repetição…
Ou não…
Nada salva esse poema de sua irrelevância.
Sou só mais um cara,
este é só mais um poema.
Como nada mais o salva…
beberei um café e salvarei minha alma.

Vaselinato da passiva

setembro 11, 2009

O pior dos opressores é o sorridente
e o pior sorriso é o que mente.
A desgraça vem de graça
e sem vaselina
ela é a graça de alguma farsa
de alguma ideia tola
uma mistura com cocaína
do homem que se fascina
com tanto poder sobre a gente.

Somos agentes dessa condição
passivos, inofensivos
acostumados, parece,
rezamos uma prece
cedemos a razão
fingimos todos os dias
que o mundo é bom.
É não.

Soneto contra sonetos

setembro 10, 2009

Para conseguir a rima e a forma
não basta algumas horas de esforço
um soneto de si nasce e se torna
tão duro fruto fim de tanto esboço.

Este soneto tem grade e tem norma
é dodecassílabo, o fim do poço.
Por mais puro que seja o que o orna
por ser soneto é pouco e insosso.

Sou contra sonetos em ângulo e grau
a poesia há de ser sempre solta
se castrar por mera forma é anormal

que os verbos ditem o que o envolta.
O soneto é só um naufragante nau
no qual afundo com minha revolta.

Viva o espaço
e versos livres
e livres poetas
viva o poesista puro e solto
preciso de espaço para que eu termine meu poema sem rima.

Certeza

setembro 8, 2009

Sabe como eu sei que estou gostando?
Quando penso nos pormenores.
Quando as dores são menores.
Quando lembro e sinto os toques.
Quando você deita e dorme e eu durmo também.

Eu sei que estou gostando e tenho muitas razões para isso.
Você me atiça o riso.
Você faz e traz suspiros.
Você afina o desafino.
E no meio de tudo, ainda e também, é feliz.

Adoro você feliz.
Adoro você feliz.