Coro

agosto 20, 2009

O dedo na ponta da mão na ponta do braço
se mexeu.
Junto com esse dedo os outros dedos também
e eles tocaram na tecla que tocou na corda
que soou o piano.
Os dedos com as teclas com o piano soaram
e toda a gente que via tudo aquilo acontecer
se deixou levar por todo o som.

Com o ar, com a música, com a tecla, com a corda, com o dedo
as vozes foram
e voaram.
Cantaram a música improvisada do piano
Milano!Milano!
tan triste
tan belo
ti amo
Milano!

Nas orelhas, nos tímpanos, nas cordas do piano e nas vocais
estavam as tais notas musicais
e soaram.

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Nó cego

agosto 13, 2009

O Rio de Janeiro e seu centro,
costurado e bordado por prédios quase grandes
e ruas quase pequenas
ou apenas ruas engarrafadas
umas mais verdes, outras mais cinzentas
e sempre ou muito ou pouco barulhentas
com umas praças largadas por aí
assim como buracos em um fuxico de tecidos diversos
e uns trombadinhas e umas pessoas largadas…

No horário comercial
tem tanta gente bonita!
Mulheres de salto alto
aquela roupa formal, porém colorida
e ternos tão ternos, quase de casamento
modernos!
Toques tão pessoais de celular
e a pressa e a destreza e a audácia que o dinheiro trás
assim como um casaco de lã preto
é escuro, tem buracos, mas esquenta.

Talvez os botões desse tecido
ou a costura dessa pele desse animal raro
são as atendentes e seus pelos oxigenados
e os homens de laranja que limpam tudo deixado no chão
e o xixi na parede (o perfume da cidade)
dá o toque de toda cidade, de todo beco,
de toda banca mal iluminada…

Por fim, o detalhe que deu mais trabalho
e que ninguém vê nesse tão elaborado bordado
mais uma coisinha nesse tão trabalhado trabalho.
Um cego quase surdo, mal direcionado e perdido
atravessando a rua na direção dos carros
algo tipo um detalhe azul anil em algo muito rosado.
Andando para um baque contra um taxi amarelo mal humorado
e abstraído pelo resto do bordado…
pela oxigenada, pelo laranja, pelo terno, pelo salto,
pelo trombadinha e pelo largado.
Pois todos estão tão mergulhados em suas modas
que acabam esperando o detalhe estranho ser rasgado
para que possa ser remendado com outra coisa depois.

Labirinto

agosto 11, 2009

O poema me disse algo complicado.
Não entendi direito.
Um amigo me disse que eram palavras de respeito
e outro, palavras de pecado…

Quis entender poemas
vi “o carteiro e o poeta”
e pude fazer uma metáfora
e com ela entendi todos os poemas do mundo.

Eu perdi a metáfora e depois acabei esquecendo…
Eu tenho uma memória vaga do que era,
mas não me lembro dela direito…

Quando eu me lembrar eu conto.

Delícia

agosto 2, 2009

Dei um beijo dos mais saborosos
olhei para Marina
ela sorria!
E o dia se fez.

Enquanto o sol não nascia
entre o sono e a vontade de não dormir
estar com Marina era alegria
e a cada cheiro e a cada abraço
cada vez mais apertado
a alegria se fazia.

É tão bom estar vivo e estar acordado
é tão bom ter algo tão bom do lado
é tão bom ter Marina comigo
e em cada suspiro de saudade
saberei e estarei à vontade
pois breve vê-la-ei de novo.