É preciso ter essa força

de seguir ao estar cansando

de sorrir demasiado

triste.

É preciso ter essa força

para ser, e ver e estar

e conseguir ainda alcançar

o tão esperado depois.

É preciso ter essa força

para esquecer o passado

para não estar atrasado

consigo.

É preciso ter essa força

e é preciso ter essa graça

e é preciso ser sobre humano.

Mas atrás da porta

ou de baixo do pano

é preciso estar respirando.

Foi

agosto 17, 2018

Arranquei o ar do pulmão com a mão

joguei longe, junto com o vento.

E junto com o vento, foi levada a mão

carregando tudo que tivesse dentro.

 

Saiu de mim com reboco e tudo

papel de parede, tinta, fogão.

O box, a cama, o sofa novo

o sofá antigo e nosso colchão.

 

Vi voando pela janela

os velhos nomes que já sonhamos

as viagens que não fizemos

o resto de todos os anos.

 

Então fui junto, levado a esmo

sem ter de mim uma forma humana

fiquei solto, só saudade mesmo

saudade triste, que ainda ama.

Attraversiamo

agosto 4, 2018

Através do mar, através.

Através do medo.

Através dos gestos, através.

Através dos anos.

Atravesso o revés, atravesso o pano.

Atravessa o agudo,

o viés humano.

Através do dito,

Atravessando o engano,

Atravessado o findo,

no através, te amo.

Attraversiamo

Um silêncio milimétrico

Preenchido pelo olhar.

Vontade louca de ouvir e de falar.

 

Um silêncio centimétrico.

Um suspiro inesperado.

Vontade louca de ficar só ao seu lado.

 

Um silêncio métrico

Com toques de saudade.

Vontade louca de me dividir pela metade.

 

Um silêncio quilométrico.

O fim se faz presente.

Vontade louca de lembrar quem foi a gente.

Essa chuva

agosto 1, 2018

Essa chuva não me molha,

por mais que eu esteja sem teto.

Ela encharca as calçadas e os vasinhos

mas em mim, nenhum respingo, nem um teco.

Ando sem capa, sem guarda-chuva,

sem marquise que salve,

sem árvore que cubra.

 

E sigo seco, à contragosto.

 

Essa chuva não me molha,

hoje ela não é minha.

Mas para alguém encharcado, agora

ela é o cume da agonia.

Noções de tempo

fevereiro 3, 2015

Sinto o tempo
no digitar de cada palavra.
No meu silêncio enquanto penso
no ar que toma tempo para entrar
e que dentro de mim envelhece e vai embora.
Sinto o tempo no soar dos acordes
no completar das frases
na construção e conclusão de cada ideia.
Sinto o tempo seguir e não repetir
em cada releitura que faço deste poema
por toda lembrança e novidade da minha história
em toda sua eterna pressa e demora.

Lugares históricos

janeiro 22, 2014

Me perdi pelo caminho
a caminho de um lugar
fui indo, indo, indo
fui indo e me perdi.
Eu ia para alguma ruína, (sei lá)
(algum lugar famoso)
(algum lugar histórico)
Mas também, qual lugar não é?

Réveillon

janeiro 2, 2014

Quando a noite se estendeu,
O céu ouvia…
Estava eu do seu lado (você sorria)
E mesmo em quase completo breu,
Frente a um mar e ventania,
Era você quem eu amava,
Era você quem eu queria.

A insônia me ocupa o sono
e o futuro acaricia meus anseios.
Enquanto eu agonizo a liberdade,
amanhã cedo comprarei mais queijo.

O que serei além do que sou?
Cabe em mim o que não estou sendo?
Escrevo pra soar bonito
as dúvidas que me mantêm aceso.

Nesse mundo não há paz para gracinhas
se não se sabe contar piadas.
Assim são todas as coisas…
Para cada qual, sua própria parada.

Os dados estão postos sobre a mesa
e se antecipam quanto a sorte que virá.
Mas cabe a força da mão tremula
jogá-los pelo acaso, pelo sonho, contra o azar.

Eu temo o medo que tenho do futuro.
Temo mudo, com uma coragem pálida.
Mas enfrento com o coração batendo
e sigo indo enquanto houver mundo.

A saudade e suas amigas

novembro 27, 2013

Do tempo que já tive
um pouco, já vivi.
Deste pouco, pouco lembro…
De tudo que foi até hoje, lembro quase nada.

As fotos são as lembranças perdidas que voltam de vez em quando.
(e voltam acumuladas)
Vendo tudo que esqueci, recrio as memórias nos sorrisos de grupos
e paisagens.
Sinto saudades.

Mas essas saudades são traiçoeiras!
Pois são tão melhores (tão melhores) do que qualquer (qualquer) imagem.
Saudades, saudades… saudades de seiláoque.

Agora é tudo o que temos

outubro 8, 2013

Minha distração vagueia
não consigo prestar atenção.
O que vejo agora, esqueço
não controlo o que gravo
nem a minha divagação.

Respeito o esquecimento
como quem olha no espelho
como uma auto-absolvição.

Agora

outubro 2, 2013

O depois é uma péssima hora para fazer as coisas
só temos o agora.
Estamos sempre no agora.
E agora, sempre bate aquela preguiça
e agora, sempre bate aquela demora…

Agora é uma péssima hora para fazer as coisas,
agora é a hora que tenho para descansar
ou a hora em que já estou trabalhando.
Melhor deixar para depois do que deixar pra agora
o que em minha cabeça já está pronto
é ideal, se não for feito agora.

Contração

setembro 26, 2013

Os ombros tensos indicam
o mundo está lá acontecendo
e aqui estou eu parado.

Sofrimento onanista

setembro 12, 2013

Sofro implacavelmente
como quem sofre por pensamento
sabendo que de acordo com meu certo,
tem muita coisa errada.

Controle

setembro 11, 2013

Quando os dados balançam na mão nervosa
e tudo está frente ao acaso,
a sensação maior que pode haver no mundo,
a mais perto de ser deus…
É a de gritar o número
e dentre todas as possibilidades cabíveis entre 2 e 12,
cair o bendito esperado.
Eta momento sagrado.

Calado

setembro 3, 2013

Meu eu calado te adora
e descansa ao seu lado, lépido.
Te olha e te olha e te olha
e é olhado de volta, que belo.
Meu eu calado te adora
e adora teu eu calado.
No silêncio, eles namoram
na fala, eles se libertam.

asfixia

agosto 2, 2013

Sinto como se tivesse me afogando
e o pior de tudo é que eu respiro.
E embora a morte um dia seja alivio,
viver ainda é o que faço e não tem cura.

O desespero que me toma, não tem raiz.
São apertos sem razão que não desistem.
É árvore que cresce para a queda
uma forma de lenha pra poema.

Não há sono que me acalme o pensamento,
tão pouco dura, a paz de quando acordo.
Tenho plena consciência do que sinto…
É queda livre vendado contra o tempo.

Passo

julho 31, 2013

Hoje é dia para esses momentos
de ventos
de nuvens e penumbra.
Melancolia afoga o peito
e uma tristeza sem explicação
canta uma música melodiosa
enquanto o tempo passa,
enquanto eu passo com o tempo.

Nem na Terra

julho 31, 2013

Triste é quem vive sabendo
qualquer coisa além do óbvio.
E cabe ao longo da vida o cárcere cruel da vigília
e da constatação de que somos ridículos mortais errantes.
Triste é quem vive sabendo
que quase tudo deve permanecer sendo
do jeito que sempre foi.
No fundo somos apenas migalhas
feitos de preguiça, medo, violência e libido.

Camadas

maio 25, 2013

Mesmo quando chove
mesmo quando chove aquela forte chuva
acredito que lá no meio tem alguma nuvem
que está fazendo sol.

Poema com pressa

abril 15, 2013

Neste fim de domingo,
já sinto a nova semana.
Meu pouco sono se acumula,
a preguiça me emociona.
Segunda feira se impõe,
a pressa se acomoda.
O alarme se prepara,
a cama se posiciona.

Mais cinco dias estão vindo,
lá vem a pressa para toda hora.
O corpo cansado implora:
“não é hora de estar dormindo?”
Já indo, me emociono
com tamanha falta de tempo.
Ainda cansado sento e tento,
mesmo quase caindo,
escrever algum tipo de prosa.

A perda de tempo que tenho
não está nas madrugadas.
Está de fato nas horas cumpridas
nos atos de fardas
que me afastam da liberdade
de poder focar-me em fazer nada
ou então do que é mais importante
que é viver sem sofrer bastante
ou de escrever poemas tomando uma limonada.

Posso estar errado

fevereiro 18, 2013

Me reservo ao direito de minha ignorância
e ao luxo de poder errar.
Me entrego aos fatos que não negam.
E aquilo que não tem jeito.
Errar é o que faço dia a dia
e o que repito com todo respeito.

Minha humanidade abraça a condição
que as minhas falhas compõem por defeitos.
O imperfeito é um boa intenção
e o perfeito é só pra deleito.

Não tenho tempo na vida
para saber tudo que houve.
A vida é muito curta
E a memória muito fraca.
Quando afirmo com firmeza
Que a ignorância é uma constante
Embora soe dissonante,
é a maior de minhas certezas.

(mas posso estar errado)

Esquecimento

janeiro 13, 2013

Se um dia desse para saber
tudo que já foi escrito
teria a certeza absoluta
de todo o original que eu repito.

Minhas palavras pretenciosas
tentam marcar a vida de qualquer pessoa.
Pobre poesia tola.
Ainda acabará no esquecimento. (como todas as outras)

Calma

dezembro 6, 2012

Escutar da voz que sai de você
que estou em seu querer
é poder dormir tranquilo.
E aquilo que é o querer,
passa a ser no dia-a-dia,
a calma de estar contigo.

Tá aí

novembro 12, 2012

Se alguém me pergunta quem tu és
Não preciso explicar com muito esforço
É só abrir um largo sorriso tranquilo
Afirmando que tu és meu broto.

E se pedem por algum tipo de detalhe
Sobre como que fica-se assim rindo à toa,
Não respondo, oras, pois isso é o que vivo
Só quando estou com minha gata garota.

Um pêlo branco

outubro 4, 2012

Brotou em mim, um pêlo branco.
Solitário, forte. Maduro?
Brotou em minha barba,
na minha cara,
um único pêlo branco.
Eu sou novo, ainda jovem.
Sou jovem, mas nem tanto.
Sou um rapaz trabalhador
com um solitário pêlo branco.

Meus dentes já cresceram.
Meus dentes, minhas unhas, meus ossos.
Já cresceram meus pés e meus músculos.
Já ficaram miopes, meus olhos.
Ainda sou jovem, ainda.
Juventude é questão de tempo.
Minha infância já é passada
e o meu futuro é certo.
Encaro o que vejo, tranquilo;
é o tempo que não tira férias:
É o tempo que passa e não sinto,
é melhor cuidar das artérias…

Fala

setembro 21, 2012

Se eu pudesse me calar, calava.
As palavras entravam uma batalha gasta.
Se você pudesse escutar, eu mostrava.
Como eu não queria precisar falar nada.
Se meu toque falasse, eu discursava.
Se meu toque falasse…
Se um oi pudesse mostrar tudo que é o oi que eu digo…
Eu te aviso desde agora:
Meu eu calado te adora
e minha fala cala muito do podia ser dito.

Café quente

setembro 19, 2012

Restou um pouco de café do almoço.
É pouco, mas molha o bico.
Requento pra dar gosto de fresco,
esquento os dedos desatentos
e queimo a língua.
Os olhos lagrimejam pelo susto,
a boca sopra.
Melhor beber agora que o café esfriou um pouquinho.

Cavidade

agosto 26, 2012

Eu juro que já não sei mais
e que não tenho o que fazer:
Tenho a Paixão que dói de dia
e que anoite não traz prazer.

É um gosto guardado na boca,
De saliva, não de mel.
É um toque e um cheiro sensível,
Não divino, não de céu.

É doença que não tem cura.
É saudade que não se mata.
Não é questão de ser pura,
nem por razão de ser rara.

O que acontece, é a vida.
E sua espontânea vontade.
Do coração dado, ficou a ferida
e por dentro, só cavidade.

Janela do carro aberta

agosto 24, 2012

Pode estar chovendo,
não importa.
O vento bate e de parte da água, me proteje, a porta.
Não importam os chuviscos;
tem hora que até agrada.
Para poder secar o corpo, tempo.
Para poder tocar a chuva, palma.

Que venha a tormenta dos céus,
que encharque e inunde o mundo.
sentir a chuva é vida
e não sentir é túmulo.