Recesso

Novembro 16, 2009

Caros Amigos e Leiores assíduos e esporádicos,

Estou me dando um recesso de publicações. Quando o tempo chegar, voltarei.

Tem vezes que precisamos parar para pensar no que fizemos para podermos pensar no que faremos.

Mudar é mais do que preciso. O Novo é mais do que necessário.

Nuvens

Novembro 5, 2009

Nuvem leve
nuvem carregada
nuvem, nuvens.
Observo parado.
Espero.
Nuvens.
Com certeza vens.

Que bom!

Outubro 30, 2009

Mas olhe e ponha a cabeça pra fora.
Olha só!
Dava para estar sem camiseta.
Sinto isso. Sei que com esforço posso suar.
Parado sinto só a brisa
deixo a brisa solta.

Vem cá. Perceba.
Estamos longe do mar
mas a maresia chega.

Escuta, depois dali, ali.
foi um canto ou foi o vento?
Para onde vamos mesmo?
Acho que o meu relógio quebrou.
Que bom!

Para os cientistas

Outubro 23, 2009

Senhores cientistas, por favor!
Não me expliquem o que é a água,
o que são as nuvens, por quê há vapor.
Não me interessa saber o por quê.
A essas coisas quero somente ver
e poder escrever como elas são bonitas e me tocam
e tocá-las quando possível, e bebê-las quando capaz.
Deixem-me admirar o mundo em paz.

Senhores cientistas, cuidado com o exagero!
Seja por prestigio ou por dinheiro
ou por mera vontade de salvar o mundo.
O saber tem um lado sujo!
Mesmo em Dumont e Einstein,
por mais pura que sejam suas vontades.
Suas idéias foram frutos de muita destruição
(e não foque na minha rima quando digo que os dois juntos
somam Nagasaki e Hiroshima).

Essa orgia de tecnologia e ciência
às vezes vai longe demais.
Já basta criar cura para cada deficiência
e achar uma deficiência em cada cura.

Para morte da vida não há cura
-o que é natural-
deixemos de lado todos os porquês
pois não há saber de verdade.

Levíssimo

Outubro 16, 2009

Um cálculo matemático jamais saberá qual será a próxima forma de uma nuvem.
E nuvem nenhuma jamais saberá um cálculo matemático.

O Trabalho do homem.

Outubro 13, 2009

O trabalho do homem é a vida,
e a vida da muito trabalho.

Comer todo dia
e digerir.
ver o mundo
e entender.
Respirar sempre…

Quanta coisa!

Fora isso, fora viver,
também temos que saber ceder
trocar e dialogar
ter calma!
Como ter calma se a vida é uma bomba relógio?!
Quando vou morrer?
Sei lá…

Ainda tento ter prazer!
Diante de toda a fatalidade que é viver
tento viver e ter prazer.
Faça me rir!
Isso é quase impossível…

O homem já voou
e respira de baixo da água.
Mas o homem ainda não consegue
viver com um pouco de calma.

Para o homem não existe a calma.
Para o homem não existirá calma.

Cansaço Cruel

Outubro 5, 2009

O corpo
quando quase cansado demais
aguenta à beira de uma queda
todo o peso do mundo.
E quando cansa de vez, não aguenta nem o ar no pulmão
nem o sol na vista
nem ideia alguma
nem a vida em si.

O cansaço mata o homem e ri.

Ventilador para fadiga

Setembro 28, 2009

Ah! A fadiga e o cansaço!
Fazem da vida uma grande preguiça.
Quase como um bafo quente de um dia quente
num ataque de mormaço numa rede
na frente do ventilador.

Ah! o ventilador!
Espanta o odor,
afasta as moscas,
atrai as moças quando faz calor.
Ah! o ventilador.

Se eu pudesse ter um ventilador para o mormaço da vida…
Para quando há em exagero o cansaço para as coisas do dia…
O ventilador das preocupações!
Deixá-lo-ia ligado sempre.
Seria o fim da fadiga e do cansaço
desses dias típicos de mormaço
quando até o vento é quente
e a preguiça toma a gente
de tudo que é obrigação.

Saudades da Esmeralda

Setembro 21, 2009

Saudades da minha Vó Esmeralda,
não só minha, de toda família.
Como Esmeralda faz falta!
Como faz falta minha vozinha.

Queria ser de novo
o zanjo da Vó
e comer o rango da Vó
e ter o carinho da Vó
e ser de novo neto.

Queria minha Vó de volta
e ser de novo neto.

Saudades da mãe Esmeralda,
saudades por suas filhas.
Como Esmeralda faz falta!
Como faz falta essa fada madrinha.

Queria vê-la de novo
puxando algumas orelhas
juntando todas as filhas
fazendo de novo festas
ensinando o que é família.

Saudades da mãe Esmeralda.
Saudade de suas filhas.

Saudades da esposa Esmeralda,
saudades por seu marido.
Como Esmeralda faz falta!
Como faz falta em cada dia vivido.

Queria vê-la de novo
fazendo par com seu marido
quebrando o pau com seu marido
dando sentido ao seu marido
Fazendo do marido, pai.

Saudades da esposa Esmeralda.
Saudades em muitos sentidos.

Eta vida danada!

Setembro 17, 2009

A vida vai e me leva,
a vida me leva e traz
uma alegria sem tamanho
por ter pais como os meus pais.

A vida vai e me leva,
a vida me faz capaz
de viver com alguma calma
nesse mundo deveras fugaz.

A vida vai e me leva,
a vida é meu capataz
quando me arrasta pelo tempo
quando não deixa eu voltar atrás.

A vida vai e me leva,
a vida é tão sagaz!
Permite tudo o que eu faço
mas se retira se eu fizer assaz.

A vida vai e me leva,
a vida me causa paz
quando acordo e vejo o sol
quando durmo e não o vejo mais.

A vida vai e me leva,
a vida me leva e traz
a vida que vai e me leva,
a vida que me leva e traz.

Espirro de poema

Setembro 14, 2009

Pensei em ser original com a poesia
quis evitar rimar ela com alegria
mas quando eu bebo e encho a cara
eu escrevo umas rimas óbvias e claras
que dá pra ver bem que não receberam mais de dois segundos de atenção
usei meu instinto poético com minha intuição
para expressar a sensação de “joy”
e quis fazer uma revoluçãozinha poética
mas as coisas não acontecem assim.

Para revolucionar a poesia
não se usa dois ovos e farinha
não há colher de fermento que faça um poema ser um grande poema.
Agora já me arrependo um pouco de ter começado esse poema…
Mais uma besteirinha na história da literatura banal.
Um espirro de poema.
Talvez se ele virar um soneto…
Ou tiver alguma repetição…
Ou não…
Nada salva esse poema de sua irrelevância.
Sou só mais um cara,
este é só mais um poema.
Como nada mais o salva…
beberei um café e salvarei minha alma.

Vaselinato da passiva

Setembro 11, 2009

O pior dos opressores é o sorridente
e o pior sorriso é o que mente.
A desgraça vem de graça
e sem vaselina
ela é a graça de alguma farsa
de alguma ideia tola
uma mistura com cocaína
do homem que se fascina
com tanto poder sobre a gente.

Somos agentes dessa condição
passivos, inofensivos
acostumados, parece,
rezamos uma prece
cedemos a razão
fingimos todos os dias
que o mundo é bom.
É não.

Soneto contra sonetos

Setembro 10, 2009

Para conseguir a rima e a forma
não basta algumas horas de esforço
um soneto de si nasce e se torna
tão duro fruto fim de tanto esboço.

Este soneto tem grade e tem norma
é dodecassílabo, o fim do poço.
Por mais puro que seja o que o orna
por ser soneto é pouco e insosso.

Sou contra sonetos em ângulo e grau
a poesia há de ser sempre solta
se castrar por mera forma é anormal

que os verbos ditem o que o envolta.
O soneto é só um naufragante nau
no qual afundo com minha revolta.

Viva o espaço
e versos livres
e livres poetas
viva o poesista puro e solto
preciso de espaço para que eu termine meu poema sem rima.

Certeza

Setembro 8, 2009

Sabe como eu sei que estou gostando?
Quando penso nos pormenores.
Quando as dores são menores.
Quando lembro e sinto os toques.
Quando você deita e dorme e eu durmo também.

Eu sei que estou gostando e tenho muitas razões para isso.
Você me atiça o riso.
Você faz e traz suspiros.
Você afina o desafino.
E no meio de tudo, ainda e também, é feliz.

Adoro você feliz.
Adoro você feliz.

Coro

Agosto 20, 2009

O dedo na ponta da mão na ponta do braço
se mexeu.
Junto com esse dedo os outros dedos também
e eles tocaram na tecla que tocou na corda
que soou o piano.
Os dedos com as teclas com o piano soaram
e toda a gente que via tudo aquilo acontecer
se deixou levar por todo o som.

Com o ar, com a música, com a tecla, com a corda, com o dedo
as vozes foram
e voaram.
Cantaram a música improvisada do piano
Milano!Milano!
tan triste
tan belo
ti amo
Milano!

Nas orelhas, nos tímpanos, nas cordas do piano e nas vocais
estavam as tais notas musicais
e soaram.

Nó cego

Agosto 13, 2009

O Rio de Janeiro e seu centro,
costurado e bordado por prédios quase grandes
e ruas quase pequenas
ou apenas ruas engarrafadas
umas mais verdes, outras mais cinzentas
e sempre ou muito ou pouco barulhentas
com umas praças largadas por aí
assim como buracos em um fuxico de tecidos diversos
e uns trombadinhas e umas pessoas largadas…

No horário comercial
tem tanta gente bonita!
Mulheres de salto alto
aquela roupa formal, porém colorida
e ternos tão ternos, quase de casamento
modernos!
Toques tão pessoais de celular
e a pressa e a destreza e a audácia que o dinheiro trás
assim como um casaco de lã preto
é escuro, tem buracos, mas esquenta.

Talvez os botões desse tecido
ou a costura dessa pele desse animal raro
são as atendentes e seus pelos oxigenados
e os homens de laranja que limpam tudo deixado no chão
e o xixi na parede (o perfume da cidade)
dá o toque de toda cidade, de todo beco,
de toda banca mal iluminada…

Por fim, o detalhe que deu mais trabalho
e que ninguém vê nesse tão elaborado bordado
mais uma coisinha nesse tão trabalhado trabalho.
Um cego quase surdo, mal direcionado e perdido
atravessando a rua na direção dos carros
algo tipo um detalhe azul anil em algo muito rosado.
Andando para um baque contra um taxi amarelo mal humorado
e abstraído pelo resto do bordado…
pela oxigenada, pelo laranja, pelo terno, pelo salto,
pelo trombadinha e pelo largado.
Pois todos estão tão mergulhados em suas modas
que acabam esperando o detalhe estranho ser rasgado
para que possa ser remendado com outra coisa depois.

Labirinto

Agosto 11, 2009

O poema me disse algo complicado.
Não entendi direito.
Um amigo me disse que eram palavras de respeito
e outro, palavras de pecado…

Quis entender poemas
vi “o carteiro e o poeta”
e pude fazer uma metáfora
e com ela entendi todos os poemas do mundo.

Eu perdi a metáfora e depois acabei esquecendo…
Eu tenho uma memória vaga do que era,
mas não me lembro dela direito…

Quando eu me lembrar eu conto.

Delícia

Agosto 2, 2009

Dei um beijo dos mais saborosos
olhei para Marina
ela sorria!
E o dia se fez.

Enquanto o sol não nascia
entre o sono e a vontade de não dormir
estar com Marina era alegria
e a cada cheiro e a cada abraço
cada vez mais apertado
a alegria se fazia.

É tão bom estar vivo e estar acordado
é tão bom ter algo tão bom do lado
é tão bom ter Marina comigo
e em cada suspiro de saudade
saberei e estarei à vontade
pois breve vê-la-ei de novo.

Tempestade

Julho 30, 2009

Hoje foi dia de chuva
não por causa da água
não por causa do tempo
foi por causa de um certo frio
fruto de um desalento.

O que tem na tormenta?
Cansaço e aquela preguiça ruim
misturados com dúvida de que possa existir algo sério na vida
fora a vida em si.

O que tem no tormento?
Uma tempestade.

É só por hoje

Julho 24, 2009

Soube que seu dia valeu pela semana
que seu chefe é uma anta
e que você é uma santa.

Por isso fiz uma surpresa!

Arrumei a casa e pus a mesa
fiz seu prato favorito
primeiro uma Salada Veneza
com pedaços de palmito
depois uma porção de calabresa
flambada no maçarico
acebolada
temperada
acompanhada por um fettuccine
um molho a La ‘Divini’
velas
vinhos
e se você soltar um sorriso
ou sorrisinho
prometo que ainda hoje
farei aquela massagem
terminarei com carinho
e fá-los-ei até você dormir…

Mas não acostuma, hein!
É só por hoje.

Tropeço

Julho 20, 2009

Quanto mais intensa a vida se faz
mais da vida se anseia.
Para cada passo dado em falso
enquanto um pé te desvia
o outro pé te norteia.
É disso que a vida é feita.
É disso que a vida é feita.

A gente vive
e isso é tudo.
Como não viver no absurdo?
Tem gente que faz do mundo algo banal…
(o cotidiano faz parte desse mal)
Mas não!
O mundo é tudo que não faz sentido!
É toda possível interpretação!
É ver que não existe um único abrigo
é onde exsite o vivo
é muito
é tudo
e tão.

Acordar antes da hora

Julho 16, 2009

Assim que o dia chegar
me acorde.
Mesmo estando frio
mesmo sendo cedo
mesmo neste domingo
me acorde sorrindo.
Quero te ver sorrir com preguiça
e descabelada
e desarrumada
até quem sabe, um pouco emburrada.
Pois então
depois do sol subir
e depois de esquentar
a gente deita de novo
e dorme mais um pouco.

Como entregar-me a outro amor, Deus?
Se os outros que me destes definharam.
Talvez eu saiba que os erros foram meus,
mas as dores das perdas ainda ladram.

Pois em todo erro não perdoado,
guardado por ambas as partes em silêncio,
faz um ser de coração preocupado
viver perdido em um tosco anseio.

É preciso perdoar a si, primeiro
é preciso esquecer que houve erro
para poder um dia seguir em frente.

Em cada novo amor, um novo ente
e sempre algo puro e passageiro.
Na vida nada será  bom por inteiro.

Composição

Julho 13, 2009

No meio das pernas
entre o ombro e a cabeça
por dentro da boca
nos laços de abraços
o suor do corpo
o sopro, o bafo
o cheiro.

Dedos curiosos
mãos insolentes
línguas e dentes
pele e pelo
Marte e Venus.

Partes compondo.

tem gente que gosta de chupar limão
tem gente que faz tudo do avesso
tem gente que se encontra num tropeço
tem gente que cai no chão.

Enquanto isso homens vivem como loucos em hospícios.

Velocidade

Julho 10, 2009

Acordar cedo
e estar cedo.
Viver cedo,
acabar cedo;
É igual a estar apressado para ter calma.

Acordar tarde
e estar tarde.
Viver tarde,
acabar tarde;
é igual a estar com calma por estar atrasado.

Comedista piador

Julho 7, 2009

Sabendo de segredos
mantive em sigilo
alguns comentários
que não pude falar.

A comédia é ácida.
A desgraça é fálica
A honra é o mundo
que deve-se atacar.

Benditos, malditos.
Loucos, cegos e eruditos
ratos, pulgas, prostitutas
gordas, velhos, tortos, sujos, soltos, largados, danados…

Não existe alma que não se pode judiar.

Falar da desgraça é a graça e a crítica
que mais faz rir
e que mais faz pensar.

Sabendo de segredos
não houve silêncio
o que foi dito, foi claro
e o mais engraçado
é que o acusado
foi quem mais riu.

Pois é sublime!

Julho 7, 2009

Pois é sublime!
Estado de torpor sem semelhante,
sem paralelo.
É o grito de alegria da cor do amarelo
tão bom quanto trocar sapatos por chinelo
êxtase, com gosto de Amarula.
Tentar-se, na crença da fissura,
pois é jovem;
Integro e inteiro
vive passageiro
de bestas obsessões.

Pois é tão tosco!
Tantos delírios sem pé nem cabeça
tanta destreza no olhar do perigo
tanta magia nascida do vento, do nada, do não.
Viagens de ônibus
passagens em festas
estranhas conversas
a calma e a pressa!
Ah! Louca sensação de estar perdido,
e de ser achado
e de andar passado na madrugada ébria!
E calcular estrelas
e caminhar na lua
observar a rua
sorrir em companhia
doce alegria!
Ser jovem, ser vivo, ser vão.

Pois é tão sublime
e é tão banal.

O Café frio e a espera

Julho 2, 2009

Enquanto meu café esfria
espero sentado, ninguém.
Fito a parede
mato a formiga
bebo um gole
espero ninguém.

Tanto faz se é pra janta
ou se para ir prum bar.
a espera ausenta o tempo
do seu tempo de passar.

E tudo demora.

Já faz uma hora
e um ano
e uma alma
que eu estou aqui
e tudo não tem graça.

O café já está frio,
ainda vou beber um gole.
Não há calma que suporte
o silêncio e a solidão.

Inquietude da poetude.

Junho 30, 2009

Ah! Esqueci de novo o que ia escrever!
Não que fosse algo banal, nem muito importante,
mas ia me fazer escrever
e isso para mim já faz valer a pena.

Era um jogo de palavras
seria algo divertido.
Mas agora eu não lembro um pio
da ideia que me atravessou a cabeça…

Agora,
antes que eu enlouqueça
devo falar algo de peso.

Antes que alguém me esqueça;
Não se esqueça:
Jaz nestas palavras minhas e em todas as outras minhas palavras
uma alma inquieta.